
Fui assistir Alice no País das Maravilhas a versão nova e em 3d do Tim Burton,que deveria chamar se (Alice no Pais da Feminilidade) o filme é demais: a estética tão característica desse diretor – sombria, fantasiosa, bem humorada – contribui super pra criação imagética do universo inventado pela Alice (ou, no caso, pelo Lewis Carroll, autor dos livros em que o filme se baseia). Essa mesma Alice, que nos desenhos animados de tempos atrás era criança, no filme cresceu e apareceu. A gente deu de cara com uma Alice pós-adolescente-quase-adulta, inteligente, independente, cheia de força e bem consciente de quem é e do que quer. Talvez essas características tenham a ver com o que mais chamou atenção nos figurinos (pra mim!).

No decorrer da estória a personagem principal muda de tamanho várias vezes, fica gigante e também fica super pequenininha. Quando ela fica gigante, a roupa que ela usa fica super mini-micro e apertadésima – Alice fica com coxão e quase um peitão! Mas quando ela diminui, o que ela usa fica enorme pra ela, com sobra de tecido e caimento longe do corpo…. uma imagem super sexy! Imagina que Alice, quando minúscula, deixa os ombros de fora, tem cavas maiores no vestido, tem decote nas costas – isso tudo sem marcar, sem apertar, sem grudar na pele. Lição pra gente na vida real, que nossas mães já ensinavam desde sempre: é mais legal seduzir insinuando do que mostrando demais. Mais: os tecidos dos figurinos da Alice sempre parecem leves, sempre tem certa transparência. O jogo de mostra-e-esconde tá sempre presente no look da nossa heroína, seja com pequenos pedacinhos de pele à mostra, em lugares estratégicos e não nos mais comuns (tipo, o decote é deslocado do colo pra deixar braços, costas e ombros à vista, sacou?). O tecido transparente, contra a luz, acaba delineando silhueta sem amostrar absolutamente nada! Tudo soltinha, com conforto, fazendo com que quem usa esteja à vontade pra viver do melhor jeito: sem se preocupar com a sedução, que já tá lá sem fazer força.

Tim Burton realmente percorre caminhos que poucos ousam percorrer, pois há uma linha tênue entre o êxito e o fracasso quando alguem se propõe a lidar com a fantasia, sobretudo uma assim já consagrada, no caso a obra de Lewis Carroll.
Maurício Alexandre.
Amigo acho que deveria fazer jornalismo vc escreve muitissimo bem. pense nisso e desiste logo das artes.
ResponderExcluirJamais...
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