quarta-feira, 25 de agosto de 2010

1986

Eu poderia te dizer e explicar o significado de uma vida. De uma vida em mim, ou apenas da tua vida em si. Mas, há alguns dias eu completei apenas 24 anos. Talvez não tão jovem, talvez na infância... Pois me era bom e confortável acreditar que a vida se resumia a trocar fraldas, ir ao parquinho e descobrir... a infância é uma arte. Aquela obra prima mais valiosa. Era onde eu comia danoninho e nem sentia o verdadeiro gosto que ele trazia, a banana amassada com farinha láctea, era algo normal que se colocava na boca e já engolia, sem nem pensar se algum dia eu iria voltar a sentir aquele gosto de novo, gosto esse que esses dias mesmo,  "re-descobrir" o quanto é bom banana amassada com farinha láctea. Era uma época que a atenção era toda voltada para o Muppets Baby na televisão. Nesses tempos eu estava mais preocupado em ocupar a cadeira da minha tia na praia, usar camiseta pra não ralar a barriga na areia, do que me formar e ter um trabalho. Assim como a preocupação maior era com o que dizia respeito em descobrir a cara da babá do Caco e da Pig; do que o que se diz respeito a valores, princípios e educação. Eu não vim dizer para comerem bananas, e sentirem o gosto dela com carinho. Nem ao menos te avisar que eventualmente elas evitariam a cãimbra, o que eu vejo hoje é a acomodação... as mudanças de hábitos.1970, 80, 90... 2000 eu tinha uma idéia e visão diferente do que eu veria hoje. O que eu vejo não faz muita/muito parte do que eu esperava. Certas horas eu tenho realmente vontade de largar mão do mundo e antes ainda, das pessoas... todos  acostumam-se, acostumam-se a não dar mais boa noite com um beijo para os pais.a  não dizer obrigado quando se é dado um presente, quando apenas a pessoa teve a gratidão de lembrar de ti onde estivesse... ou quando com todo o carinho, tirou do dela para te dar. Poderíamos combinar isso também como uma lei. Deveria ser proibido perder sem lutar. Acomodar-se com o mal estilo de vida que leva, mesmo sabendo que pode ter algo melhor. Acostumar-se com os preconceitos e com todos os absurdos do mundo, sem nem questionar ou ter vontade de chorar. Um dia tu jurou quando era jovem que não se moldaria...Tu te acostumou-se com o trânsito infernal, com crianças no sinal, com simplesmente dar e não receber. Prefere ficar quieto, levar a culpa, do que expor tua opinião e mostrar à que veio. Preferes "calar a boca" do que te envolver em uma discussão. Achas que chorar é coisa de criança e prefere engolir o choro, e pra quê? Pra ir chorar no banheiro onde ninguém escuta?! Tu não precisas engolir caroços, não precisas aceitar o que pra ti não é aceitável, e tu não precisa estar em uma cama de hospital para ver e sentir, que podes mudar tudo isso e desligar o 'vivendo no automático' e viver de verdade. E escrevo esse texto hoje, e me recordo de como demorou para eu conseguir dar o valor necessário, seja as bananas amassadas, ou ao colo de mãe. Daquela piscina de plástico que cada mergulho era o ultimo, e quando chegava a hora de sair parecia que ela não estaria ali no dia seguinte. Como fui feliz em toda minha infância. e pude dar valor as menores coisas, menores prazeres. que hoje vendo, são muito grandes ao que se formou certas opiniões. Descobri depois de anos, que bem ali na estante da sala, tinha uma coleção de discos que hoje são as letras e musicas que mais me fazem bem e vivo. que de todos os presentes, poder traze-los aqui, para o que hoje eu chamo de nossa casinha, foi melhor do que qualquer festa ou anel de diamantes. E que quando tu chama para comer, existe ainda aquela educação, de comermos todos juntos, de servir primeiro os mais velhos, mas como ele mesmo sempre cedeu dizendo: " pode se servir filho" sair da mesa e pedir licença, agradecer o almoço, dizer que estava otimo. Porque perder isso? Deixar de lado tradições e educações? Dizer que colocar o pé no sofá é liberdade na casa do amigo Ah não, isso nunca vou entender ou aceitar. Com certeza tenho lugares e casas que me sinto em casa. Mas, são exatamente nesses lugares que procuro ser a pessoa mais educada e respeitosa que eu possa ser. Não me peça para aceitar, ou entender... não me peça para mudar isso. Pois o que meus "filhos" quando eu resolver adota-los vão aprender, pelo menos dentro da minha casa e sob meus olhares, é o que eu acho certo. Mesmo alguém achando errado!!! Eu por exemplo estou resgatando todos os antigos valores, e agregando aos novos, que são poucos, pois mesmo jovem, sou antigo... minha data de nascimento errou por uma década!!! Mas,dentro de mim, os anos 70 vive se chocando com os dois mil atuais. Eu quero o pedido de casamento tradicional? Só quando o casamento entre pessoas do mesmo sexo, for permitido em onsso país. Dizer sim na frente do padre e selar aquele momento para sempre? Não!!! Desejo apenas ter alguém à quem possa chama-lo de meu. Casar e nunca mais se separar? Talvez!!! Que seja eterno enquanto dure... Eu quero concordar com aquilo que me convém, e nesse tempo, já não concordo mais com algum tempo que foi perdido, e muito menos lamentações. Eu quero viver intensamente como sempre vive. Me dar e me entregar e deixar que o mundo me leve para onde tiver que levar. Mas, nunca esquecendo o valor do que estou vivendo. Eu estou aqui, ali, lá... sempre onde quer que eu esteja. Estarei escrevendo a minha melhor história. E essa, só cabe a mim, e a mim mesmo saber o que me faz feliz. Mas, no dia do meu juízo final, pode mandar que me levem, porque aqui eu já vou, fiz tudo o que pude e não pude. Ainda não sei se caibo nesse mundo.

De alguém nascido em 1986.

Maurício Alexandre.

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