Vejo e sinto a grama alta a roçar nas minhas pernas, tateio a folhagem com as pontas dos meus dedos e tenho a impressão de que eu, a grama, o vento e o sol em minhas costas nos tornamos um mesmo ser. Não ouso abrir meus olhos pois o sonho que me embala é leve e doce como a mais fina sobremesa, não deixo a ansiedade tomar controle pois o ritmo lento é como o bom vinho a ser degustado. Percebo que meus pés, então descalços não mais tocam o solo. Eu fluto assim como os demais, estamos em formação tais quais patos selvagens a migrar. É nova a sensação de cruzar nuvens desprotegido, com meu rosto a penetrá-las dando espaço ao resto de minha extensão, sou uma agulha a costurar grandes flocos de algodão branco, acredito estar tecendo uma malha jamais vista anteriormente. Ouço música e não sei dizer de qual direção ela vem, arrisco dizer que ela está em todos os cantos, é como parte integrante do cenário desde o princípio. A melodia tem um quê de marcha, ainda assim alegre, como que a nos animar a seguir em frente. No entando me dou ao luxo de, outra vez no solo, sentir a areia morna tocando meus pés ao longo de um trecho de praia. Encontro um rochedo e ao subir, me deparo com a trilha de pegadas que deixei pra trás sendo encoberta pela maré que sobe outra vez. É meu mundo de sonhos purificando-se para minha próxima aventura. Talvez amanhã, o despertador teima em pelejar pelos meus olhares atentos. Mais um dia pela frente.
Maurício Alexandre.
Maurício Alexandre.
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