Pedradas...
Faltava pouco menos de uma semana quando ele desabou. Mas não deu tempo de ver nem de onde veio a pedrada pois não tardou e ele foi acertado novamente, queriam ter certeza que ele só sairia do chão se soubesse muito bem o quê iria fazer. Fato é que nesse tempo caído, colocou-se a pensar nas possíveis causas, nas possíveis escolhas feitas que o colocaram em tal situação. - Não fiz nada demais - Pensou ele - meus últimos meses foram tais quais os anteriores, quase sem contato com o exterior, sempre protegido dos demais vez que poucas aproximações eu fiz. Não ajudei o próximo, mas também não o prejudiquei, estive alheio durante todo esse tempo. Não vejo motivos para…. BANG!!! - E lá se foi a terceira pedrada. Há quanto tempo estava sem sentir dor ou qualquer outro tipo de sentimento? - Talvez seja exatamente isso, talvez essa hostilidade toda foi trazida pela minha distância aos demais, pelas chances que eu poderia ter saído do singular e não o fiz, pelos atos que supostamente eram em prol de um futuro profissional, mas no fundo não passavam de puro egoísmo. Fui dinheiro, não fui sorrisos. Talvez fui sorrisos, mas apenas meus. E a quarta pedra foi poupada, até hoje ele não soube dizer porque levantou-se e continuou seu caminho sem ter sido atingido mais nenhuma vez. Ele pode não saber, mas aquele emaranhado de sentimentos, responsável pelas outras três pedras sabia muito bem que já tinha alcançado seu objetivo.
Maurício Alexandre.
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