domingo, 17 de janeiro de 2010

O inverno da vez... "minha mini biografia"



Três de Agosto de mil novecentos e oitenta e seis.  Predestinado a ser  um leonino nasci com quase sete meses e meio, e podia ser segurado com a palma da mão. Era inverno e desde então aprendi que essa estação era a minha favorita. Até hoje, foram duas décadas desde que desembarquei em terras turbulentas – já que antes disso estive recluso no campo de treinamento de sobrevivência da mamãe , e de lá pra cá muita coisa aconteceu na minha vida e nas dos demais. Mas o caso aqui é a minha, perdoem-me o egoísmo. Lembro da lousa que ganhei, do quanto me achava culto e aspirante a professor durante minha infância, lembro-me de como minhas pequenas ambições conseguiam ser tão grandes (planejava milhares de conquistas, fui agente especial, soldado implacável, peão de rodeio e até aspirante a Luke Skywalker – com direito a Light saber). Mas de alguma forma esses sonhos todos acabaram em uma folha de papel, em um esboço naquela lousa ou de tão confidenciais que eram eu preferi guardá-los no meu arquivo mental - era óbvio que eu era treinado para resistir à tortura. Eu sinto falta mesmo de não ter escrito um diário de bordo de todas minhas peripécias infantis, hoje queimo neurônios para lembrar das sensações daquele tempo, do prazer que era conquistar algo desejado. Eu me realizava em ver meus experimentos darem certo, mas me realizava mais ainda em tentar fazê-los dar certo. Devia ter pedido em algumas das listas de presentes um diário igual o de Lucas Silva e Silva, com uma fita inesgotável daquelas eu seria capaz de viajar por todo a Via Láctea de carona na cauda de um cometa. Cada época da minha vida tem um gosto, um cheiro, uma cor que marcou-a. Cheiro de chuva, açúcar com canela, cheiro de travesseiro de mãe, de abraço dos avós, de irmão recém nascido e até de pé cortado jogando bola. Vou lembrar pra sempre das brigas boas, das lembrancinhas das feiras de terça, de dormir na cama da mãe com a desculpa de que o edredon era mais gostoso, das viagens com a avó, das encrencas com meu irmão e de como fico dócil ao lembrar de tudo isso. Logo mais finda mais um inverno. Garanto que essa história ainda vai render muitas linhas, revelar segredos, desvendar mistérios ou servir de consulta para os tempos de nostalgia. O inverno da vez, tem gosto novo, que eu ainda estranho mas que logo eu aprendo a apreciar.

Maurício Alexandre.

Nenhum comentário:

Postar um comentário