E então, um dia, você acorda. E olha no espelho. E vê as marcas. E olha o relógio. E vê que horas passaram. E então, naquele momento, você descobre que você está velho. Você não ocupa mais um posto, você não tem mais uma função. Seus filhos têm vidas próprias, seu casamento foi o que você teve. E então você pensa: sobrou o quê? Aquele momento seria a celebração da sua vida inteira, de seus sucessos e fracassos, de sua história, de suas glórias e inglórias? Ou aquele momento seria o da consciência do encerramento, do alerta de um fim, da antecipação da despedida? Agora seu espelho não é mais narcisista. Ele mostra quem realmente você é, e as marcas que o tempo lhe trouxe, são as cicatrizes que você carrega. Cada uma delas tem uma lembrança contida, uma experiência vivida. Por que uma alma sem cicatrizes é uma alma sem sentimentos...
Maurício Alexandre.
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