segunda-feira, 21 de junho de 2010

Sangrando


Sabe, hoje eu fiz algo que há muito não fizera... Algo do qual tenho fugido todo esse tempo... Realmente deixou-me mal, mutilou minha alma, corrompeu meu espírito. Ao olhar-me em meu espelho ele refletiu meus olhos culposos. Senti uma tristeza, um vazio e  medo de voltar as velhas praticas... Me despi entrei embaixo do chuveiro, na ilusão que agua que caia sobre meu corpo pudesse livrar-me dessa angustia, do odor da lama na qual hoje mergulhei. Malditas coisas que fazemos pra nos sentirmos vivos! Chorei... Lágrimas tão claras quanto à agua que descia pelo ralo. Pensei... coisa tão obscuras quanto à lama. Malditas lembranças que não saem da mente. Espelho maldito porque refletes meus sentimentos? A consciência não me basta como tortura, como abismo? Vedes meu sangue escorre com a agua que se vai... Sangue tão falso quanto os cortes ao pulso. Coisas malditas feitas com a esperança em uma navalha. Oh! coisas... Coisas malditas, que fazemos pra nos sentirmos vivos!

Maurício Alexandre.

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